Riane Brito
Da Redação do Potiguar Notícias
O rugby ou rúgbi é um
esporte em que os seus jogadores passam a bola oval com as mãos e buscam
alcançar a linha de fundo, para impedir que os jogadores do time
adversário tentem derrubar no chão aquele que estiver com a bola. Quando
não conseguem parar o adversário, os torcedores gritam “tryyyy” ao
invés do popular “gooool”. À primeira vista, o rugby parece um jogo
violento no qual os rugbiers, como são chamados, apenas se empurram e
jogam uns aos outros no chão, mas, diferente do que se pensa, o rugby é
um jogo coletivo, em que se vê é baseado no respeito e cumplicidade entre
os praticantes.
A tradição esportiva demorou a se espalhar pelo
Brasil, concentrando-se nas regiões sul e sudeste. Os primeiros clubes
do nordeste, por exemplo, datam da segunda metade da primeira década dos
anos 2000. Felizmente, a perspectiva é de que esse cenário mude até a
volta da modalidade aos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012. A Delloite,
que presta consultoria empresarial, realizou recente pesquisa que
detectou o rugby como o esporte que mais cresce no Brasil, seguido das
artes marciais, devendo ser alvo de investimentos nos próximos anos.

O
esporte é originário da Inglaterra e existe oficialmente desde 1863,
mas só chegou às terras potiguares em 2005, quando foi criado o Potiguar
Rugby Club e, um ano depois, foi fundado o Potiguar Rugby Clube
Feminino e compartilhavam o campo e os treinos com os marmanjos. Na
época, o time encarou muitas caras feias, uma vez que as pessoas
costumam ver com olhos preconceituosos mulheres que praticam esportes os
quais os homens dominam como o futebol e o rugby. As dificuldade em
encontrar praticantes e patrocínio extinguiram o time feminino no fim de
2009.
Em 2011, recriado o time feminino e retomando as atividades,
fazendo excelente temporada, impulsionou a procura por mais praticantes
no Estado. A capitã do time Maíra Leal, em entrevista ao PN, disse que o
rugby não é só um esporte, é um estilo de vida: “Para praticá-lo, são
necessárias jogadoras de todos os biotipos: altas e baixas, gordas e
magras, velozes e lentas. Tem sempre um lugar para quem quiser jogar.
Além disso, por se tratar de um esporte amador, é perfeito para quem se
sente um pouco abandonada na prática esportiva quando deixa a
universidade. No mundo inteiro, mulheres de várias idades praticam
rugby” disse.
NOVA FASE
Este ano o rugby potiguar feminino enfrenta uma nova fase,
com um bom número de atletas treinando, e disputa o circuito feminino de
rugby que segue na sua segunda edição. A primeira etapa foi disputada
recentemente em Recife onde o time alcançou bons resultados “Não fomos a
surpresa do campeonato, o Mandacaru de Maceió, certamente levou esse
título. Não fomos dessa vez o time menos experiente. Esse título é
certamente do time de Salvador. Não fomos o melhor time, o Recife é
certamente o time de rugby feminino mais desenvolvido da Região
Nordeste. Não disputamos o primeiro lugar e mostramos que brigamos pelo
título, como Teresina. Não fomos as meninas mais novas com um futuro
brilhante pela frente, como as meninas do time B do Recife foram. Fomos
nós. Pela primeira vez, com todas as dificuldades, com os bons e os maus
momentos, com coragem. Nessa etapa, fomos depois de muito tempo, um
time. Dividimos responsabilidades, conquistas e temos muitas histórias
pra contar. Rimos e choramos. Jogamos menos do gostaríamos e queremos
mais. Mal podemos esperar a segunda etapa” disse a capitã.
Agora com o
olhar para o futuro as jogadoras partem em julho para o Piauí, onde
será realizado a segunda etapa do circuito feminino de rugby e lançaram a
campanha “Ei, ajuda a gente ir pro Piauí!” e estão desenvolvendo
atividades para arrecadar dinheiro. Tudo vale: vender rifas e camisetas,
correr atrás de patrocínio e até fazer barraquinha de bebida em festas.
“Temos orgulho do nosso trabalho, do que conquistamos, pode não ser
nada nos olhos dos outros, mas somos um time. A cada vez que tenho um
treino com time completo, ou um jogo, sinto que uma parte do sonho se
realiza. Quero mais, quero ter um time competitivo para o próximo NE
7’s, quero realizar jogos femininos em Natal, quero montar uma escolinha
de rugby na comunidade onde vivo e vou realizar cada um desses sonhos
com a ajuda das minhas companheiras de time.”, afirmou.